TAVITO – É com grande prazer e satisfação que
trago aqui essa figura maravilhosa que é o Tavito. À guisa apenas de
informação, o músico e compositor mineiro Luis Otavio de Melo Carvalho, é um
dos nomes mais importante da música brasileira das últimas décadas. Ele
participou do legendário Som Imaginário que reunia além dele, músicos como
Wagner Tiso, Luiz Alves, Robertinho Silva, Fredera, Naná Vasconcelos e Zé
Rodrix. Participou da geração de Milton Nascimento ao lado de Nelson Angelo,
Toninho Horta e Tavinho Moura. Tocou também com Vinicius de Morais nos anos 60.
Depois produziu discos de Renato Teixeira, Marcos Valle, Selma Reis e Sá &
Guarabira, além de atuar como arranjador e publicitário. Ele gravou diversos
discos, destacando-se o “Tudo”, lançado em 2009, e é autor de várias músicas,
entre elas os sucessos Rua Ramalhete e da famosíssima Casa no Campo, feita em
parceira com o memorável Zé Rodrix. Na última quinta, dia 15 de dezembro, tive
a honra de tê-lo participando inclusive com uma canja com seus sucessos, da
homenagem que me foi feita na Sopa de Letrinhas – O Sarau do Caiubi, no Bagaça
em São Paulo.
Sou terra índia velha feiticeira abrindo o
ventre e parindo o chão. Pegadas novas na estrada velha. Vou tatuando a poeira
do chão. Mato a sede com a passarada molhando a alma num riachão. Saudade brota
sob a lua cheia, sou cantador por profissão.
TECO SEADE
- Tenho me ressentido muito da
falta de tempo que a gente tem para ouvir, ver ou prestigiar tanta coisa boa
que desabrocha espoucando aqui, ali, acolá ou alhures por aí. Não me perdôo por
isso, mesmo me mantendo em pesquisas constantes por descoberta de gente boa na
poesia, na música, no teatro, enfim, nas artes. Estou sempre futucando e
navegando na rede sempre em busca de conhecer talentos e, com certeza, tenho me
maravilhado com muita coisa que tenho encontrado. Principalmente eu que sou aficcionado desde menino pela arte de todos
os aedos, rapsodos, bardos, vates, trovadores, menestréis, jograis, segréis, repentistas,
violeiros, cantadores e mambembes itinerantes com suas fórmix, kitharas, liras,
alaúdes, cistres, cordofones, citolas, cítaras, arcos, harpas, monocórdios, banjos,
bandolins, cavaquinhos, guitarras, violões e violas que faziam e fazem seus
ditirambos, cancioneiros, cantorias, desafios, repentes, emboladas, serenatas, saraus,
ou funções diversas e tertúlias, isso sem falar da admiração e fascínio que
tenho pela arte de Elomar, Xangai, Heraldo do Monte, Renato Teixeira, Amir
Sater, Rolando Boldrin, Vital Farias e de todos os violeiros que aprecio na
comunidade Violeiros do Brasil.
Sempre
tenho encontrado gente da melhor cepa artística na rede. Mas dessa vez, não foi
virtualmente que descobri, foi pessoalmente. Exatamente durante a V Bienal Internacional do Livro de Alagoas que, por meio da minha amiga Aline Romariz,
tive a oportunidade de conhecer o trabalho da Iluminatta e do Portal do Poeta Brasileiro, como também o excelente talento de Teco Seade.
Teco
além de ser um sujeito da melhor qualidade humana e uma figura ímpar de
dignidade, é um daqueles artistas que surpreendem, encantam e trazem no seu
canto e na sua música aquela essencial brasilidade poética capaz de envolver de
forma enfeitiçadamente fascinante a todos que presenciam sua performance. Nascido
em Campinas, é formado em Psicologia pela PucCamp e herdeiro da arte de
familiares pantaneiros. Na sua trajetória ele traz a iniciativa de ser o
responsável pelo desenvolvimento de projetos
culturais em bares com músicos, mágicos, mímicos, atores, comediantes e outros
artistas, um dos fundadores da Cooperativa dos Poetas, Escritores e Cartunistas,
um dos criadores da Mondongo Produções, ao lado de Alejandro Munize Fábio Sampaio e, também, da Cooperativa
de Poetas, Escritores e Cartunistas de Campinas, do Espaço Cultural e Projeto
Cultural da Cachaçaria Tradicional. Entre os seus parceiros estão a Cia de
Teatro Sia Santa, o pintor impressionista Washington Maguetas(o “Monet Brasileiro”), Zeza Amaral(Prêmio Sharp em 1987), o jornalista Sérgio Di Paula,
o violeiro mato-grossenseJoão Ormond, entre muitos outros artistas.
A
matéria-prima do trabalho de composição de Teco Seade vem da contemplação da
gente simples, da natureza, dos costumes, da poesia, das estradas, fortalecendo
assim as raízes do povo brasileiro. Essa, portanto, louvável e meritória de
aplausos de pé, destacando-se de sua lavra os projetos Viola Emprenhada e Palavra
Caipira.
A
esse talento indiscutivelmente de primeira linha e a esse cantador excelente,
trago a minha homenagem com um xote que fiz:
A vida
passa em cada passo do caminho Vou passarinho professando a minha fé Vou bem cedinho pela estrada que se espalma O Nordeste em minha alma Nos catombos do trupé Vou Severino percorrer légua tirana Com toda aventura humana No solado do meu pé.
Sou cantador E carrego no canto Minha vida no manto Que reveste o valor Pra onde eu for Eu me valha do encanto Pra chegar em qualquer canto Com a verdade do amor.
Vou com meu canto em cada canto lado a lado Vou com cuidado afinando o meu gogó Sem ter espanto, todo só de luz armado Tino aceso e aprumado Evitando um quiprocó. Vou confiante, entre o céu e a terra, a ponte No destino do horizonte Vou bater até no sol.
Sou cantador E carrego no canto Minha vida no manto Que reveste o valor Pra onde eu for Eu me valha do encanto Pra chegar em qualquer canto Com a verdade do amor.
Digo bem alto e minha crença toma abrigo Sem ter asilo na redoma do mundão Sigo o sermão no rumo a rota do estradeiro Assuntando o paradeiro Na melhor entonação. Passo nos peitos a ficar comendo orvalho Se cantar é o meu trabalho Deus me dê toda canção.
Sou cantador E carrego no canto Minha vida no manto Que reveste o valor Pra onde eu for Eu me valha do encanto Pra chegar em qualquer canto Com a verdade do amor.
PALAVRA
MÍNIMA - O projeto PalavraMínima
tem o objetivo de criar mais um espaço para veiculação da arte produzida em
Alagoas. Trata-se de um empreendimento cultural consistente que acontecerá
sempre às sextas, no Espaço Cultural Linda Mascarenhas, no formato de um
espetáculo musical impregnado de literatura, que mostra a sintonia entre a palavra cantada – da música dos compositores
e intérpretes – e os textos dos diversos autores alagoanos, buscando, assim,
unir duas expressões, como produção única.
JÚLIO UÇÁ - O cantor Júlio Uçá iniciou a carreira musical na sua cidade
natal, Palmeira dos Índios/AL, através de movimentos religiosos. Aos 17 anos se
mudou para Maceió com o objetivo de terminar seus estudos, onde se formou no
curso de Hotelaria. Mas, como a música sempre foi seu maior dom, Júlio encarou
o desafio de compor e divulgar a música alagoana se profissionalizando em 2003.
Neste mesmo ano, estreou pela primeira vez no cenário regional com a música
“Moreninha”, de autoria própria, no Festival de Música do Sesc (Femusesc),
conseguindo conquistar sua classificação para a fase final do concurso. A
partir daí o reconhecimento foi imediato. Com a repercussão do festival, Júlio
participou de vários projetos, entre eles o Projeto Jaraguá Cultura e Negócios,
em Maceió, 2003, Feira da Música, realizada em Fortaleza, 2006, Projeto
Circulação Sesc Música Alagoana, 2008, e o Projeto Misa Acústico, em Maceió,
2008. Júlio participou de mais três edições do Femusesc, mas foi em 2008 que
venceu o festival com a música “Cabelo de Mola”, seu maior sucesso, levando o
nome de Alagoas para o evento nacional do Sesc, o Festival de Música Cidade
Canção (Femucic), ocorrido em Maringá/ PR, no mesmo ano. Com influências de
Zeca Baleiro, Chico César, Caetano Veloso e Adriana Calcanhoto, Júlio Uçá
compõe suas músicas, caracterizadas como MPB contemporâneo e prevê lançar o
primeiro CD, denominado como “Selva”, no mês de dezembro deste ano. Júlio
promete um disco com uma pegada suave da MPB, requintes de elementos
eletrônicos e muito humor. Agora é aguardar o lançamento para conferir seu novo
repertório.
LUCIANO JOSÉ - O poeta alagoano Luciano José Barbosa da Rocha é formado em
filosofia pela Universidade Federal de Alagoas, professor da Universidade
Estadual de Alagoas (Uneal - Campus III), Palmeiras dos Índios e já publicou os
livros de poesia: Imtromissão do Poema (2006) e Grãos de Versos (2007),
V(e)ia Poética (2009) e Conta-Gotas (2011).
SERVIÇO: Projeto PalavraMínima, com Júlio Uçá e Luciano José (Participação
especial: Cosme Rogério e Larissa Perdigão) Sexta, 09 de dezembro, às 20 horas No
Espaço Cultural Linda Mascarenhas Ingressos: R$20,00 (preço promocional de
R$10,00)