Sábado, Janeiro 07, 2012

EEK - FANTASIA DO EQUILIBRISTA




EEK, O SOM ARRETADO DE ALAGOAS - Perambulando pelas ruas de Maceió, vez em quando eu ouvia a moçada dizer num sei que lá iq. Iq? Não. Eek de rato? Interjeição ou advérbio? Nada disso. Uma onomatopéia americana? Eita! Era mesmo: “E que som legal”, como o criador dissera no sexto dia da gênese. Ah, era mesmo Eek. Aí, primeiro pensei que era o povo achegado a uma viajada pro Alaska. Não, não era. Os curtidores do jamaicano do reggae? Hum. Não. Tratavam daquele gato roxo do Bill Kopp ou daquela e-newsletter do Kuwait? Da obra daquele designer holandês ou da moeda da Estônia? Um carro da Chrysler ou do Partido dos Trabalhadores da Grécia? Da Escola de Engenharia Kennedy ou da revista do Departamento de Recursos Naturais de Wisconsin? Nada disso. Que droga é nove? Depois de muito pelejar foi que entendi: era a banda Eek, o som arretado de Alagoas.

Pelo visto não fora nada pacífico desvelar esse mistério, só revelado mesmo com a “Fantasia do equilibrista”. Isso mesmo.

De primeira, Contando as horas: “[...] e perco as horas. Eu não vou mais dormir em vão. Não vou mais matar o tempo para não morrer...”. Arretado, um rock-pop agradável com levada de bluejazz na abertura e um tacundum diferenciado das bandas usuais do gênero. Nesse caso, a primeira impressão é a que fica. E a deles, das boas mesmo.

Depois, vem a definição da personalidade múltipla da banda com tons e ritmos que se revestem pela carga de influências do melhor que já foi produzido na música alternativa, até chegar na sacada: “Quis minha vida mudar, mas não pude escolher o destino [...] Hoje larguei minhas patas no chão e sorri da minha vida de cão...”. Era “Minha vida de cão” que remeteu agradavelmente às belíssimas melodias dos Beatles, Yes, Tears For Fears e com pitadas grunge da mais legal performance do Nirvana. E para quem já curtiu desde Rita Lee, Casa das Máquinas, passando por Led Zeppelin, Dire Straits, Jetro Tull, Pink Floyd até Jamiroquai e Mangue Beat, o som dos meninos é mesmo legal demais.

Logo em seguida, uma balada com marca audivelmente aprazível e versos como: “Carrego o tempo no olhar [...] Carrego o tempo no meu bolso e o esqueço antes de dormir...”.

Deixei embevecido o som rolar e me deparei com: “[...] A onda levou o bilhete que eu escrevi... tudo tem seu fim!”. Agucei melhor o ouvido e: “[...] O tempo do verbo mudou [...] Que o tempo e o medo tornaram-se amigos desde então...”. E mais me surpreendi com: “Eu quis evitar sujar as mãos com palavras e gestos [...] Sozinho o meu travesseiro parece maior...”. E mais e mais: “[...] Eu sinto o sabor do passado a cada novo dia que nasce: o amanhã sem a vocação pra ser ontem... o solado gasto do meu sapato, o fluxo contínuo do tempo: os calendários sempre perdem a sua função”. Até finalizar a audição com: “[...] Alguem tem sempre de se ferir... alguém sempre está só”.

Nossa, o som dos meninos é mesmo muito legal. E me amarrei e  conferi: Banda Eek.


BANDA EEK – Foi quando naveguei pelo site oficial e o blog da banda EEk, bem como pelo perfil deles no MySpace, na Trama, no YouTube e na Conexão Vivo que fiquei sabendo que a nomeação do grupo surgiu duma brincadeira experimental de fonemas e letras, ou como eles mesmo dizem: “[...] ela se chama Eek, por um simples capricho da fonética e da estética! Esse nome não tem nenhum significado, não é sigla de nada e nem faz alusão a nenhum personagem ou coisa. É um nome surgido do mero acaso, quando as idéias de nomes para uma banda cessaram e as onomatopéias começaram a surgir. Foi uma idéia da língua em combinação com os olhos, porque o nome é legal de se falar (íqui) e é legal de se ver (Eek), assim com os dois Es [...] O nome é uma "obra aberta": ele pode significar várias coisas ao mesmo tempo e pode, também, mudar seus significados com o passar dos tempos; é um signo e no universo dos signos, nós seguimos brincando com os seus significados”. Logo vi que esses meninos não são besta nada. Sabidos, no bom sentido.

Tudo começou quando os integrantes da banda de punck-rock alagoana, Sr. Miagy, foi pro saco. Três deles se juntaram a um quarto convidado e criaram a Eek: Diogo Braz, Christophe Lima, Leo Tarja-Preta e Wagner Sampaio.

O ritmo que eles tocam? Eles mesmos respondem: “Bem, somos contra rótulos. Concordamos que a Eek é uma banda de rock e isso já basta como rótulo, pois às vezes tocamos Reggae, às vezes tocamos música psicodélica, funk, às vezes tocamos mais pesado, outras mais leves... enfim, podemos tocar o que quisermos sem deixarmos de ser uma banda de rock”.



Tudo muito bom. Destaque pro jovem promissor Diogo Braz que é o autor de todas as letras e músicas do álbum “Fantasia de equilibrista”, responsável pela voz e guitarra na banda, jornalista por formação e que trabalha no Instituto Zumbi dos Palmares (IZP). E com um detalhe mais: é gente boa, menino bom. Ele atua ao lado do baterista Christophe Lima, da guitarra solo e violão de Wagner Sampaio, e do baixo do Leo Tarja Preta. Esse o quarteto que brilha no cenário da música alagoana mais arretada!! Contatos com eles pelo site e blog da banda, ou pelo fome 82.9972;2058 ou, ainda, pelo mail eek_banda@yahoo.com.br.

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1 comentários:

Meimei Corrêa disse...

Parabéns pelo trabalho. Sucesso.