EEK,
O SOM ARRETADO DE ALAGOAS - Perambulando pelas ruas de Maceió, vez em quando eu
ouvia a moçada dizer num sei que lá iq. Iq? Não. Eek de rato? Interjeição ou
advérbio? Nada disso. Uma onomatopéia americana? Eita! Era mesmo: “E que som
legal”, como o criador dissera no sexto dia da gênese. Ah, era mesmo Eek. Aí, primeiro
pensei que era o povo achegado a uma viajada pro Alaska. Não, não era. Os curtidores
do jamaicano do reggae? Hum. Não. Tratavam daquele gato roxo do Bill Kopp ou
daquela e-newsletter do Kuwait? Da obra daquele designer holandês ou da moeda
da Estônia? Um carro da Chrysler ou do Partido dos Trabalhadores da Grécia? Da Escola
de Engenharia Kennedy ou da revista do Departamento de Recursos Naturais de Wisconsin?
Nada disso. Que droga é nove? Depois de muito pelejar foi que entendi: era a
banda Eek, o som arretado de Alagoas.
Pelo
visto não fora nada pacífico desvelar esse mistério, só revelado mesmo com a
“Fantasia do equilibrista”. Isso mesmo.
De
primeira, Contando as horas: “[...] e
perco as horas. Eu não vou mais dormir em vão. Não vou mais matar o tempo para
não morrer...”. Arretado, um rock-pop agradável com levada de bluejazz na
abertura e um tacundum diferenciado das bandas usuais do gênero. Nesse caso, a
primeira impressão é a que fica. E a deles, das boas mesmo.
Depois,
vem a definição da personalidade múltipla da banda com tons e ritmos que se
revestem pela carga de influências do melhor que já foi produzido na música
alternativa, até chegar na sacada: “Quis
minha vida mudar, mas não pude escolher o destino [...] Hoje larguei minhas patas no chão e sorri da
minha vida de cão...”. Era “Minha vida de cão” que remeteu agradavelmente
às belíssimas melodias dos Beatles, Yes, Tears For Fears e com pitadas grunge
da mais legal performance do Nirvana. E para quem já curtiu desde Rita Lee,
Casa das Máquinas, passando por Led Zeppelin, Dire Straits, Jetro Tull, Pink
Floyd até Jamiroquai e Mangue Beat, o som dos meninos é mesmo legal demais.
Logo
em seguida, uma balada com marca audivelmente aprazível e versos como: “Carrego o tempo no olhar [...] Carrego o tempo no meu bolso e o esqueço
antes de dormir...”.
Deixei
embevecido o som rolar e me deparei com: “[...] A onda levou o bilhete que eu escrevi... tudo tem seu fim!”. Agucei
melhor o ouvido e: “[...] O tempo do
verbo mudou [...] Que o tempo e o
medo tornaram-se amigos desde então...”. E mais me surpreendi com: “Eu quis evitar sujar as mãos com palavras e
gestos [...] Sozinho o meu
travesseiro parece maior...”. E mais e mais: “[...] Eu sinto o sabor do passado a cada novo dia que nasce: o amanhã sem a
vocação pra ser ontem... o solado gasto do meu sapato, o fluxo contínuo do
tempo: os calendários sempre perdem a sua função”. Até finalizar a audição com:
“[...] Alguem tem sempre de se ferir...
alguém sempre está só”.
Nossa,
o som dos meninos é mesmo muito legal. E me amarrei e conferi: Banda Eek.
BANDA
EEK – Foi quando naveguei pelo site oficial e o blog da banda EEk, bem como
pelo perfil deles no MySpace, na Trama, no YouTube e na Conexão Vivo que fiquei
sabendo que a nomeação do grupo surgiu duma brincadeira experimental de fonemas
e letras, ou como eles mesmo dizem: “[...] ela
se chama Eek, por um simples capricho da fonética e da estética! Esse nome não
tem nenhum significado, não é sigla de nada e nem faz alusão a nenhum
personagem ou coisa. É um nome surgido do mero acaso, quando as idéias de nomes
para uma banda cessaram e as onomatopéias começaram a surgir. Foi uma idéia da
língua em combinação com os olhos, porque o nome é legal de se falar (íqui) e é
legal de se ver (Eek), assim com os dois Es [...] O nome é uma "obra aberta": ele pode significar várias coisas
ao mesmo tempo e pode, também, mudar seus significados com o passar dos tempos;
é um signo e no universo dos signos, nós seguimos brincando com os seus
significados”. Logo vi que esses meninos não são besta nada. Sabidos, no
bom sentido.
Tudo
começou quando os integrantes da banda de punck-rock alagoana, Sr. Miagy, foi
pro saco. Três deles se juntaram a um quarto convidado e criaram a Eek: Diogo
Braz, Christophe Lima, Leo Tarja-Preta e Wagner Sampaio.
O
ritmo que eles tocam? Eles mesmos respondem: “Bem, somos contra rótulos. Concordamos que a Eek é uma banda de
rock e isso já basta como rótulo, pois às vezes tocamos Reggae, às vezes
tocamos música psicodélica, funk, às vezes tocamos mais pesado, outras mais
leves... enfim, podemos tocar o que quisermos sem deixarmos de ser uma banda de
rock”.
Tudo
muito bom. Destaque pro jovem promissor Diogo Braz que é o autor de todas as
letras e músicas do álbum “Fantasia de equilibrista”, responsável pela voz e
guitarra na banda, jornalista por formação e que trabalha no Instituto Zumbi
dos Palmares (IZP). E com um detalhe mais: é gente boa, menino bom. Ele atua ao
lado do baterista Christophe Lima, da guitarra solo e violão de Wagner Sampaio,
e do baixo do Leo Tarja Preta. Esse o quarteto que brilha no cenário da música
alagoana mais arretada!! Contatos com eles pelo site e blog da banda, ou pelo
fome 82.9972;2058 ou, ainda, pelo mail eek_banda@yahoo.com.br.
Veja mais na Agenda.



1 comentários:
Parabéns pelo trabalho. Sucesso.
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