sábado, novembro 07, 2026

INSTRUMENTAL LAM

 

INSTRUMENTAL LAM – Reunião de 8 canções autorais em formato instrumental. São músicas compostas durante os mais de 40 anos de trajetória artística. Confira:

 

ARA ou O LIVRO DAS PORTAS


QUANDO TE VI


DERINHA


ABANDONO


MATIZES


NÊNIA DE ABRIL


TATARITARITATÁ



LUZ&AR





sábado, outubro 17, 2026

O PAGADOR DE PROMESSAS, TEATRO & CINEMA

 

 

TEATRO: O PAGADOR DE PROMESSAS - A peça teatral O pagador de Promessas (Agir, 1961), do escritor, dramaturgo, autor de telenovelas e membro da Academia Brasileira de Letras, Dias Gomes (Alfredo de Freitas Dias Gomes – 1922-1999), foi escrita em 1959 e estreou nos palcos brasileiros em 1960, no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), em São Paulo. A sua trama envolve o enredo com o incidente em que o protagonista Zé do Burro, um lavrador simples do interior da Bahia, profundamente apegado ao seu burro de estimação, quando o animal é gravemente ferido na cabeça pela queda de um galho de árvore. Por causa disso, o dono faz uma promessa para salvá-lo: jura que, se o burro sobreviver, doará metade de suas terras aos pobres e carregará uma pesada cruz de madeira, igual à de Jesus Cristo, desde sua fazenda até a porta da Igreja de Santa Bárbara, em Salvador. Dá-se então um impasse porque Zé do Burro fez a promessa em um terreiro de candomblé, associando Santa Bárbara a Iansã. E, quando ele chega exausto a Salvador após caminhar sete léguas, o padre da igreja recusa-se a deixá-lo entrar ou a aceitar a cruz, considerando o ato uma heresia e intolerância religiosa. Assim, impedido de entrar, Zé vira o centro das atenções: ao seu redor, oportunistas tentam tirar proveito de sua história: jornalistas sensacionalistas distorcem os fatos, políticos tentam usar sua imagem para fazer campanha, líderes religiosos o rechaçam, e figuras marginais (como o gigolô Bonitão e a prostituta Marli) tentam manipular a situação. Nesse ínterim, a sua esposa, Rosa, também demonstra insatisfação e amargura com a pobreza e a obsessão do marido. Dá-se, então, um desfecho trágico: preso à sua inocência e convicção ética, Zé recusa-se a negociar ou renegar a promessa. A confusão escala até que ele é confrontado pela polícia, que o confunde com um agitador político ou arruaceiro. No final, Zé do Burro é morto a tiros na porta da igreja. O povo, comovido e consciente da injustiça, coloca seu corpo sobre a cruz e o carrega para dentro do templo em um gesto de revolta e libertação. Em síntese, a peça teatral contrasta a fé pura, sincera e quase ingênua do homem do povo com o dogmatismo rígido, burocrático e excludente das instituições religiosas. Além disso, mostra como a sociedade urbana (imprensa, igreja, política e comércio), tentando cooptar, mercantilizar ou destruir a pureza de um ideal humano, evidenciando o choque cultural entre o sincretismo religioso brasileiro e a ortodoxia católica. É autor de outras peças teatrais que obtiveram sucesso de público e crítica, a exemplo A Comédia dos Moralistas (1938), Amanhã Será Outro Dia (1941), Zeca Diabo (1943), A Revolução dos Beatos (1961), Odorico, o Bem Amado ou Os Mistérios do Amor e da Morte (1962), O Santo Inquérito (1966) e Roque Santeiro, o Musical (1995), entre outras. Também dos livros Sucupira, Ame-a ou Deixe-a (1982) e Odorico na Cabeça (1983), afora ter atuado na televisão autor de várias novelas, a exemplo de O Bem-Amado (1973), Roque Santeiro (1975) e Saramandaia (1976) e das séries Carga Pesada (1979/1980) e O Bem-Amado (1980-1984). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 


CINEMA - O filme O pagador de Promessas (1962), escrito e dirigido pelo ator, roteirista, escritor e cineasta, Anselmo Duarte (Anselmo Duarte Bento – 1920-2009), é baseado na peça de Dias Gomes, com o enredo que narra a promessa de Zé do Burro (interpretado por Leonardo Villar), um lavrador simples do interior da Bahia, cuja principal companhia e amigo é seu burro, gravemente atingido por um raio durante um temporal. Desesperado, ele faz uma promessa em um terreiro de candomblé a Santa Bárbara (sincretizada com Iansã), sob a condição de, se o animal sobreviver, ele doará seu pedaço de terra aos pobres e carregará uma pesada cruz de madeira, igual à de Jesus, até a Igreja de Santa Bárbara em Salvador. A jornada se dá porque o burro curou-se e Zé do Burro determinou-se em cumprir sua palavra, cortando a cruz e caminhando quilômetros até Salvador ao lado de sua esposa, Rosa (interpretada pela atriz, Glória Menezes), enfrentando exaustão física e a incompreensão das pessoas ao redor. Ao chegar diante da igreja, Zé é impedido de entrar pelo Padre Olavo (interpretado por Dionísio Azevedo), pois, o sacerdote recusa a entrada da cruz ao saber que a promessa foi feita em um terreiro de candomblé, a uma entidade de matriz africana, considerando o ato uma heresia. Zé, fiel aos seus princípios e incapaz de entender a burocracia e o preconceito eclesiástico, decide acampar na escadaria da igreja até que o padre o deixe entrar. A sua permanência na praça atrai diferentes grupos que tentam usar sua história para interesses próprios: a imprensa e o rádio distorcem os fatos, transformando-o falsamente em um líder comunista e defensor da reforma agrária para gerar escândalo e audiência; os interesses políticos e religiosos tentam cooptá-lo ou silenciá-lo; personagens marginais, como Marli (interpretada pela atriz, Norma Bengell) e o cafetão Bonitão (interpretado por Geraldo Del Rey), tentam se aproveitar da fragilidade de Rosa, gerando tensões conjugais. O desfecho trágico se dá com o confronto ocorrido na porta da igreja, quando Zé escala os degraus, criando um tumulto quando a polícia tenta expulsá-lo à força. No meio da confusão e dos tiros, Zé é atingido por uma bala perdida e cai morto. Diante do corpo do homem estendido sobre a cruz que carregou, o povo se revolta contra o padre. Os populares forçam a abertura das portas da igreja e carregam o cadáver de Zé do Burro para dentro do templo, transformando-o em um mártir da causa popular e da liberdade de crença. O filme foi o primeiro sul-americano a vencer a Palma de Ouro no Festival de Cannes (em 1962) e o primeiro indicado brasileiro ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro (em 1963). Por conta disso, o cineasta é considerado um dos maiores nomes do cinema brasileiro, com extensa carreira como ator em filmes e telenovelas. Como ator, Anselmo Duarte atuou no documentário O Homem Que Engarrafava Nuvens (2009), Tico-Tico no Fubá (1952), entre outros tantos. Como cineasta realizou O Caçador de Esmeraldas (1979), Já Não Se Faz Amor como Antigamente (1977), Ninguém Segura Essas Mulheres (1976) e tantos outros. Veja mais aqui.

 



sábado, outubro 10, 2026

CIRCO ITINERANTE

 

 

CIRCO ITINERANTE – Uma experiência de produção cultural ocorrida em meados da década de 1980, em Palmares (PE), que durou 15 dias de muitas atividades artísticas. Foi neste evento que ocorreram shows musicais de Ozi dos Palmares, Zé Ripe, Mazinho, Everaldo Souza & Zito Arão, entre outros; exposições pictóricas de Ângelo Meyer, Rollandry Silvério & outros artistas da região, recitais de poesias, afora apresentações teatrais, de guerreiros, de caboclinhos, de dança, com lançamento inaugural da revista em quadrinhos Aventureiros do Una. Além disso, matinês e recreações para a criançada durante o dia, com o Palhaço Pirulito e apresentações circenses, como a mulher-de-borracha, engolidor de fogo, acrobacias e equilibrismo. Veja mais detalhes aqui, aqui, aqui & aqui.

 


sábado, outubro 03, 2026

TEATRO LAM

 

 

TEATRO LAM – Experiência vivida em mais de 50 anos dedicados à difusão, estudos, práticas, montagens e realização de atividades teatrais, com começou lá por volta do primeiro alumbramento no início dos anos 1970 e que se prolongou ao longo das décadas até o presente momento. Foram desde propostas de encenações, cursos, textos, encenações e propostas de atividades ligadas à execução de atividades teatrais tanto na escola, como na montagem de espetáculos.

 

AS PRIMEIRAS CENAS

I

II

II

O PRÊMIO

A VIAGEM NOTURNA DO SOL

A MONTAGEM DE JOÃO SEM TERRA, DE HERMILO

O LOBISOMEM ZONZO

NITOLINO NO REINO ENCANTADO DE TODAS AS COISAS

I

II

III

IV

O JACARÉ E A PRINCESA

TEATRO NA ESCOLA

I

II

III

IV

V

VI



domingo, setembro 27, 2026

A ARTE DA ETERNA GLAUCE ROCHA

 

 

A ARTE DA ETERNA GLAUCE ROCHA – Para quem vivia escapando da vigilância dos juízes de menores, eu saía montado num bigodinho ralo embaixo das ventas, todo embecado, beiçudo e pagando inteira para me aboletar nas poltronas de filmes para maiores de 18 anos. Era isso no Teatro Cinema Apolo, toda vez que tinha sessão de artes, às terças ou quartas, lá na minha terrinha, isso na primeira metade da década de 1970. O público era uma meia dúzia de gatos pingados, aficionados pela Sétima Arte. Lá estava eu todo espragatado viajando na maionese, quando, certa vez, dei de cara com uma produção cinematográfica nacional: o drama Um Homem sem Importância (1971), dirigido por Alberto Salvá e estrelado por Oduvaldo Vianna Filho e Glauce Rocha. A partir daí pesquisei toda sua cinematografia dessa saudosa e belíssima mulher, sua atuação no teatro e na televisão, seu engajamento político em plena ditadura militar. Li os livros Glauce Rocha: Atriz Mulher Guerreira (Hucitec, 1996), do radialista, músico e jurista José Octávio Guizzo e Glauce Rocha: Uma Vida Interrompida (Relume-Dumará, 1996), do memorável autor, professor e tradutor pernambucano Aldomar Conrado (Aldomar D'Almeida Conrado da Costa – 1936-2018). Assisti os curtas documentais Jardim de Pedra – Vida e Morte de Glauce Rocha (2024), dirigido por Daphyne e Rodrigo Rezende, e Glauces - Estudo de um Rosto (2001), dirigido por Joel Pizzini. Ao todo ela atuou em 55 montagens teatrais, mais de 50 programas de televisão e 23 filmes. E ao lado de Cacilda Becker e Fernanda Montenegro, ela está no panteão das grandes atrizes brasileiras. Esta a minha homenagem à grande atriz Glauce Rocha (Glauce Eldé Ilgenfritz Corrêa de Araújo Rocha – 1930-1971), eterna no meu coração. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.