sábado, setembro 19, 2026

A ARTE DE SILVIO TENDLER

 

 

 

A ARTE DE SILVIO TENDLER - O cineasta, documentarista, historiador e professor Silvio Tendler (1950-2025), ficou conhecido como "o cineasta dos vencidos" ou "o cineasta dos sonhos interrompidos", por retratar em sua obra figuras da história brasileira, cujos projetos políticos foram interrompidos. Com mais de 70 filmes e diversas séries em sua filmografia, é um dos documentaristas de maior público do cinema brasileiro, além de ter sido o diretor de três das maiores bilheterias do gênero no país. A sua trajetória começou no movimento cineclubista do Rio de Janeiro, em meados de 1960, tornando-se presidente da Federação de Cineclubes do Rio de Janeiro e realizar o seu primeiro documentário sobre a Revolta da Chibata, em 1968, ao conhecer pessoalmente o marinho João Cândido. Por conta da repressão da ditadura militar, os negativos do filme foram destruídos. Foi então que ele ingressou no curso de Direito, na PUC-Rio, enfrentando um inquérito policial militar por conta da sua militância política. Mudou-se, então, para o Chile, em 1970, trabalhando em projetos culturais do governo. Daí foi para a França, em 1972, onde integrou o coletivo que realizou o filme La Spirale (1975), analisando o golpe de estado no Chile. Lá formou-se em História, pela Universidade Paris VII, onde trabalhou com o historiador Pierre Vidal-Naquet e concluiu seu mestrado no seminário "Cinema e História", de Marc Ferro, com uma tese sobre Joris Ivens. Retornou ao Brasil, em 1976, começando a produzir seus filmes mais icônicos, resgatando a memória de um país democrático e desenvolvimentista, em plena transição da ditadura militar para a democracia. A partir de 1979, foi professor do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio, presidente da Associação Brasileira de Cineastas e membro fundador de importantes entidades, como a Fundação do Novo Cinema Latino-Americano. Em 1981, fundou a Caliban Produções Cinematográficas, dirigiu o filme O mundo mágico dos Trapalhões (1981). Daí partiu para suas atividades, culminando com o projeto Utopia e Barbárie (2009), que levou quase 20 anos para ser concluído, apresentando um afresco da segunda metade do século XX com depoimentos de intelectuais como Augusto Boal e Susan Sontag. Entre 2011 e 2014, dirigiu a Trilogia da Terra, uma série de documentários que abordam a questão agrária e os perigos dos agrotóxicos. Foi a partir de então que começou a enfrentar complicações de uma neuropatia diabética, ficando tetraplégico, em 2011. Em um longo processo de recuperação, retomou os movimentos e a capacidade de filmar. Entre os seus lonaga-metragens estão Os Anos JK - Uma Trajetória Política (1980), Jango (1984), Castro Alves - Retrato Falado do Poeta (1999), Milton Santos - Pensador do Brasil (2001), Glauber o Filme, Labirinto do Brasil (2003), Encontro com Milton Santos ou O Mundo Global Visto do Lado de Cá (2006), Utopia e Barbárie (2009), a série Os Advogados contra a Ditadura (2014) e Militares da Democracia (2014), entre outros. Entre os média-metragens estão Rondônia – Viagem à Terra Prometida (1986), Aprender, Ensinar e Transformar (1988), Caçadores da Alma (1988), Chega de Saudade (1988), Josué de Castro – Cidadão do Mundo (1994), Conceição das Crioulas: Vestígios de Quilombo (1996), Marighella - Retrato Falado do Guerrilheiro (2001), O Veneno Está na Mesa (2011), entre outros. Entre os curta-metragens estão Envira (1997), Antonieta (1997), Rio Republicano (Didático - 2000), Fragmentos do Exílio (2003), O Olhar de Castro Maya (2004), Correndo Atrás dos Sonhos (2004), Há muitas noites na noite- Poema Sujo Ferreira Gullar (2010), Matzeiva Juliano Mer-Khamis (2011), J. Carlos - O Cronista do Rio (2013), O Brasil na Terra do Misha (2013), Sujeito Oculto: na Rota do Grande Sertão (2013), Parir é natural (2015), entre outros, afora séries para TV, a exemplo de Anos Rebeldes (1992), Era das Utopias (2009), Preto no Branco — A Censura Antes da Imprensa (2009). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui. 



sábado, setembro 12, 2026

A ARTE DE MILTON NASCIMENTO

 

A ARTE DE MILTON NASCIMENTO - Já havia tido a experiência ao adquirir aquele álbum do Hermeto (vide: aqui), quando então entrei na discoteca e vi um álbum com uma capa escura e apenas a inscrição Minas (1975). Levei-o e ouvi em casa, conferi: era a primeira audição do Milton Nascimento. Pouco tempo depois ouvi a voz dele na música O que será (À flor da terra), do álbum Meus caros amigos (1976), do Chico Buarque. E logo em seguida adquiri o sensacional álbum Gerais (1976). Com a audição destes dois álbuns fui enfeitiçado, tanto que cometi o meu poema “Minha voz”, ouvindo a sua e a esta a minha dedicatória. Aí saí catando Travessia (1967), Courage (1968), o de 1969, o Milton (1970), o álbum duplo Clube da esquina (1970), o Milagre dos peixes - instrumental (1973), o duplo Milagre dos Peixes ao vivo (1974), o Native Dancer (1974). Daí vieram o Milton (1976), o duplo Clube da esquina 2 (1978), o Journey to Dawn (1979), o Sentinela (1980), o Caçador de mim (1981), o Anima (1982), a Missa dos Quilombos (1982), o Ao vivo (1983), o Encontros & despedidas (1985), o Braziliam Romance (1987) com a Sarah Vaughan; o Yauaretê (1987), quando fiz a primeira entrevista com ele; o Miltons (1989), quando fiz a segunda entrevista; o Txai (1990), o Corazón Americano (1986), A barca dos amantes (1986), o Planeta Blue na estrada do sol (1992), Ângelus (1994), Nascimento (1997), quando fiz a terceira entrevista com ele; o Tambores de Minas (1998), o Crooner (1997), Gil & Milton (2000), Pietá (2002), E a gente sonhando (2010), Under Toky Skies (2010), com o Herbie Hancock). Sim, a coleção completa, acho. E não só. Acompanhei de perto sua participação nas telas do cinema: primeiro no filme Os deuses e os mortos (1970), dirigido por Ruy Guerra. Depois a sua trilha sonora para o documentário Tostão A Fera de Ouro (1970). Em seguida, a atuação e a trilha sonora de A Queda (1976), do Ruy Guerra. A sua participação como ator no filme Fitzcarraldo (1982), dirigido por Werner Herzog. Logo após Noites do Sertão (1983), do Carlos Alberto Prates Correia, baseado na novela Buriti, de Guimarães Rosa, publicada no livro Corpo de Baile. E vem a trilha musical do documentário Jango (1984) de Silvio Tendler, em parceria com Wagner Tiso. Depois a música dos filmes Chico Rei (1985) de Walter Lima Jr. e Jorge, Um Brasileiro (1989) de Paulo Thiago. Logo após as trilhas musicais de A Terceira Margem do Rio (1995) de Nelson Pereira dos Santos, em parceria com Caetano Veloso e, depois, Menino Maluquinho (1994) de Helvécio Ratton; mais Veja essa Canção (1994), de Cacá Diegues, O Coronel e O Lobisomem (2005) de Maurício Farias, Sonhos e Desejos (2006), Uma Professora muito Maluquinha (2010), Rio 2 (2014) e O Outro Lado do Paraíso (2014).


Este o perfil e a fantástica trajetória do cantor, compositor e multi-instrumentista Milton Nascimento (Milton Silva Campos do Nascimento, 1942), apelidado de Bituca – apelido ganho por conta dos botocudos -, um dos mais influentes artistas da história da música. Nasceu no Rio de Janeiro e foi criado em Três Pontas, Minas Gerais, filho da empregada doméstica Maria do Carmo do Nascimento, foi criado por sua avó dona Augusta e depois adotado pela professora de música, Lilia Silva Campos e seu marido, Josino Campos, dono de uma estação de rádio. Aos 4 anos ganhou uma sanfona de 2 baixos e, aos 13, cantava no conjunto Continental de Duilio Riso Cougo, um grupo de baile.

Com a música Travessia, parceria com Fernando Brant, ocupou o 2º lugar no Festival Internacional da Canção, em 1967. Gravou 34 álbuns e foi parceiro de Björk, Duran Duran, Herbie Hancock, Mercedes Sosa, Pat Metheny, Paul Simon, Jon Anderson, Peter Gabriel, Quincy Jones, Sara Vaughan e Wayane Shorter.

Hoje, com 84 anos, acometido pela doença de Parkinson e diagnosticado com demência por corpos de Levy, adotou seu filho Augusto Kesrouani Nascimento, em 2016, em Juiz de Fora – MG e é a estrela do documentário Milton Bituca Nascimento (2025), direção de Flávia Moraes, narração de Fernanda Montenegro e com a turnê de despedida "A Última Sessão de Música" ao longo de dois anos, com depoimentos de Gilberto Gil, Mano Brown, Spike Lee, Paul Simon e Quincy Jones. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.




sábado, setembro 05, 2026

A MÚSICA DE MOACIR SANTOS

 

 

MOACIR SANTOS – O arranjador, compositor, maestro e multi-instrumentista Moacir Santos (1926-2006), era órfão de mãe e filho de cangaceiro foragido, quando foi adotado ainda criança, destacando-se por sua aptidão acadêmica pela música. Aos 11 anos tocava clarinete e, depois, na adolescência passou para o saxofone, banjo, violão e bandolim, enquanto era vítima de pesadas tarefas domésticas e preconceito racial durante a pós-escravidão. Daí então passou a tocar na banda da Polícia Militar da Paraíba, tornando-se maestro, quando fugiu de casa e tornou-se músico itinerante, atuando em circos itinerantes. Seguiu por sul e começou a trabalhar na Rádio Nacional, no Rio de Janeiro, como compositor e, depois, diretor musical, estudando com Hans-Joachim Koellreutter. A partir disso tornou-se professor de Baden Powell, Paulo Moura, Sérgio Mendes, Carlos Lyra, Nara Leão, João Donato e Roberto Menescal, pelos anos 1950-60. Em 1965 ele lançou o álbum Coisas, pelo selo Forma, com fusão de ritmos afro-brasileiros e sonoridades de jazz. Foi aclamado pelo New York Times e passou a compor trilhas sonoras para filmes brasileiros. Foi então que ele se mudou para os Estados Unidos, onde gravou 3 álbuns para Blue Note, na década de 1970, pelos quais foi indicado ao Grammy. Em 2004 foi lançado o álbum Outro Negro, com participações de Milton Nascimento, Gilberto Gil e João Donato. Em 2005, lançou o seu último álbum, Choros & Alegrias, com participação de Wynton Marsalis. Foi parceiro de Vinicius de Moraes e trabalhou com Nara Leão, Roberto Menescal, Sérgio Mendes. Em 2005 foi lançado um DVD com um show da Banda Ouro Negro, gravado ao vivo no Sesc Pinheiros, em São Paulo. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.




sábado, agosto 29, 2026

O TEATRO DE AUGUSTO BOAL

 

 

O TEATRO DE AUGUSTO BOAL – O primeiro contato que eu tive com a obra teatral de Augusto Boal (Augusto Pinto Boal -1931-2009), foi ainda adolescente: Técnicas Latino-Americanas de teatro popular: uma revolução copernicana ao contrário (Hucitec, 1975). Eureka! Sim, foi um estalo! Havia saído duma experiência malograda numa montagem da peça Adoração, de Fenelon Barreto, e logo me pus a escrever o meu primeiro texto teatral: O Prêmio (1977). Depois chegou-me às mãos o livro 200 exercícios e jogos para o ator e não-ator com vontade de dizer algo através do teatro (Civilização Brasileira, 1983), que me empolgou mais ainda. E me deu fôlego pro segundo texto A viagem noturna do sol (1983). Aí danei-me a estudar o Teatro do oprimido e outras poéticas políticas (Civilização Brasileira. 1975) e logo adquiri o seu Teatro Completo (Hucitec, 1986, 2 volumes). Também o Jogos para atores e não-atores (Civilização Brasileira, 1998) e O Corsário do Rei (Civilização Brasileira, 1986). Foram muitas e tantas leituras que permearam as minhas escritas e montagens teatrais. E como gratidão pelo aprendizado, eis alguns registros de suas obras:

 

AUGUSTO BOAL

TEATRO

O TEATRO & O PENSAMENTO ESTÉTICO

CORSÁRIO DO REI

REVOLUÇÃO NA AMÉRICA DO SUL

TECNICAS LATINO-AMERICANAS DE TEATRO POPULAR

I

II

REVOLUÇÃO COPERNICANA AO CONTRÁRIO

I

II

JOGOS PARA ATORES & NÃO-ATORES

EXERCÍCIOS & JOGOS DE TEATRO

EXERCÍCIOS & JOGOS PARA ATOR

A QUEDA DAS ATRIZES

LISÍSTRATA

TEATRO DO OPRIMIDO

I

II

 



sábado, agosto 22, 2026

REENCONTRO MARCADO

 

 

REENCONTRO MARCADO – A solidão compulsória num tempo devastador, o calendário perdido por ontamanhãs. A espera tardia sucumbia no desencontro, a lucidez escassa. Havia o vestígio de fôlego nas cercanias e a parede era o abrigo na expectativa do reencontro. Algo sobrevivia em meu coração atordoado, coisa que seria logo presença, enquanto as horas ditassem o ritmo das ocasiões. Este o momento. Confira aqui, aqui & aqui.