sábado, setembro 12, 2026

A ARTE DE MILTON NASCIMENTO

 

A ARTE DE MILTON NASCIMENTO - Já havia tido a experiência ao adquirir aquele álbum do Hermeto (vide: aqui), quando então entrei na discoteca e vi um álbum com uma capa escura e apenas a inscrição Minas (1975). Levei-o e ouvi em casa, conferi: era a primeira audição do Milton Nascimento. Pouco tempo depois ouvi a voz dele na música O que será (À flor da terra), do álbum Meus caros amigos (1976), do Chico Buarque. E logo em seguida adquiri o sensacional álbum Gerais (1976). Com a audição destes dois álbuns fui enfeitiçado, tanto que cometi o meu poema “Minha voz”, ouvindo a sua e a esta a minha dedicatória. Aí saí catando Travessia (1967), Courage (1968), o de 1969, o Milton (1970), o álbum duplo Clube da esquina (1970), o Milagre dos peixes - instrumental (1973), o duplo Milagre dos Peixes ao vivo (1974), o Native Dancer (1974). Daí vieram o Milton (1976), o duplo Clube da esquina 2 (1978), o Journey to Dawn (1979), o Sentinela (1980), o Caçador de mim (1981), o Anima (1982), a Missa dos Quilombos (1982), o Ao vivo (1983), o Encontros & despedidas (1985), o Braziliam Romance (1987) com a Sarah Vaughan; o Yauaretê (1987), quando fiz a primeira entrevista com ele; o Miltons (1989), quando fiz a segunda entrevista; o Txai (1990), o Corazón Americano (1986), A barca dos amantes (1986), o Planeta Blue na estrada do sol (1992), Ângelus (1994), Nascimento (1997), quando fiz a terceira entrevista com ele; o Tambores de Minas (1998), o Crooner (1997), Gil & Milton (2000), Pietá (2002), E a gente sonhando (2010), Under Toky Skies (2010), com o Herbie Hancock). Sim, a coleção completa, acho. E não só. Acompanhei de perto sua participação nas telas do cinema: primeiro no filme Os deuses e os mortos (1970), dirigido por Ruy Guerra. Depois a sua trilha sonora para o documentário Tostão A Fera de Ouro (1970). Em seguida, a atuação e a trilha sonora de A Queda (1976), do Ruy Guerra. A sua participação como ator no filme Fitzcarraldo (1982), dirigido por Werner Herzog. Logo após Noites do Sertão (1983), do Carlos Alberto Prates Correia, baseado na novela Buriti, de Guimarães Rosa, publicada no livro Corpo de Baile. E vem a trilha musical do documentário Jango (1984) de Silvio Tendler, em parceria com Wagner Tiso. Depois a música dos filmes Chico Rei (1985) de Walter Lima Jr. e Jorge, Um Brasileiro (1989) de Paulo Thiago. Logo após as trilhas musicais de A Terceira Margem do Rio (1995) de Nelson Pereira dos Santos, em parceria com Caetano Veloso e, depois, Menino Maluquinho (1994) de Helvécio Ratton; mais Veja essa Canção (1994), de Cacá Diegues, O Coronel e O Lobisomem (2005) de Maurício Farias, Sonhos e Desejos (2006), Uma Professora muito Maluquinha (2010), Rio 2 (2014) e O Outro Lado do Paraíso (2014).


Este o perfil e a fantástica trajetória do cantor, compositor e multi-instrumentista Milton Nascimento (Milton Silva Campos do Nascimento, 1942), apelidado de Bituca – apelido ganho por conta dos botocudos -, um dos mais influentes artistas da história da música. Nasceu no Rio de Janeiro e foi criado em Três Pontas, Minas Gerais, filho da empregada doméstica Maria do Carmo do Nascimento, foi criado por sua avó dona Augusta e depois adotado pela professora de música, Lilia Silva Campos e seu marido, Josino Campos, dono de uma estação de rádio. Aos 4 anos ganhou uma sanfona de 2 baixos e, aos 13, cantava no conjunto Continental de Duilio Riso Cougo, um grupo de baile.

Com a música Travessia, parceria com Fernando Brant, ocupou o 2º lugar no Festival Internacional da Canção, em 1967. Gravou 34 álbuns e foi parceiro de Björk, Duran Duran, Herbie Hancock, Mercedes Sosa, Pat Metheny, Paul Simon, Jon Anderson, Peter Gabriel, Quincy Jones, Sara Vaughan e Wayane Shorter.

Hoje, com 84 anos, acometido pela doença de Parkinson e diagnosticado com demência por corpos de Levy, adotou seu filho Augusto Kesrouani Nascimento, em 2016, em Juiz de Fora – MG e é a estrela do documentário Milton Bituca Nascimento (2025), direção de Flávia Moraes, narração de Fernanda Montenegro e com a turnê de despedida "A Última Sessão de Música" ao longo de dois anos, com depoimentos de Gilberto Gil, Mano Brown, Spike Lee, Paul Simon e Quincy Jones. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.




sábado, setembro 05, 2026

A MÚSICA DE MOACIR SANTOS

 

 

MOACIR SANTOS – O arranjador, compositor, maestro e multi-instrumentista Moacir Santos (1926-2006), era órfão de mãe e filho de cangaceiro foragido, quando foi adotado ainda criança, destacando-se por sua aptidão acadêmica pela música. Aos 11 anos tocava clarinete e, depois, na adolescência passou para o saxofone, banjo, violão e bandolim, enquanto era vítima de pesadas tarefas domésticas e preconceito racial durante a pós-escravidão. Daí então passou a tocar na banda da Polícia Militar da Paraíba, tornando-se maestro, quando fugiu de casa e tornou-se músico itinerante, atuando em circos itinerantes. Seguiu por sul e começou a trabalhar na Rádio Nacional, no Rio de Janeiro, como compositor e, depois, diretor musical, estudando com Hans-Joachim Koellreutter. A partir disso tornou-se professor de Baden Powell, Paulo Moura, Sérgio Mendes, Carlos Lyra, Nara Leão, João Donato e Roberto Menescal, pelos anos 1950-60. Em 1965 ele lançou o álbum Coisas, pelo selo Forma, com fusão de ritmos afro-brasileiros e sonoridades de jazz. Foi aclamado pelo New York Times e passou a compor trilhas sonoras para filmes brasileiros. Foi então que ele se mudou para os Estados Unidos, onde gravou 3 álbuns para Blue Note, na década de 1970, pelos quais foi indicado ao Grammy. Em 2004 foi lançado o álbum Outro Negro, com participações de Milton Nascimento, Gilberto Gil e João Donato. Em 2005, lançou o seu último álbum, Choros & Alegrias, com participação de Wynton Marsalis. Foi parceiro de Vinicius de Moraes e trabalhou com Nara Leão, Roberto Menescal, Sérgio Mendes. Em 2005 foi lançado um DVD com um show da Banda Ouro Negro, gravado ao vivo no Sesc Pinheiros, em São Paulo. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.




sábado, agosto 29, 2026

O TEATRO DE AUGUSTO BOAL

 

 

O TEATRO DE AUGUSTO BOAL – O primeiro contato que eu tive com a obra teatral de Augusto Boal (Augusto Pinto Boal -1931-2009), foi ainda adolescente: Técnicas Latino-Americanas de teatro popular: uma revolução copernicana ao contrário (Hucitec, 1975). Eureka! Sim, foi um estalo! Havia saído duma experiência malograda numa montagem da peça Adoração, de Fenelon Barreto, e logo me pus a escrever o meu primeiro texto teatral: O Prêmio (1977). Depois chegou-me às mãos o livro 200 exercícios e jogos para o ator e não-ator com vontade de dizer algo através do teatro (Civilização Brasileira, 1983), que me empolgou mais ainda. E me deu fôlego pro segundo texto A viagem noturna do sol (1983). Aí danei-me a estudar o Teatro do oprimido e outras poéticas políticas (Civilização Brasileira. 1975) e logo adquiri o seu Teatro Completo (Hucitec, 1986, 2 volumes). Também o Jogos para atores e não-atores (Civilização Brasileira, 1998) e O Corsário do Rei (Civilização Brasileira, 1986). Foram muitas e tantas leituras que permearam as minhas escritas e montagens teatrais. E como gratidão pelo aprendizado, eis alguns registros de suas obras:

 

AUGUSTO BOAL

TEATRO

O TEATRO & O PENSAMENTO ESTÉTICO

CORSÁRIO DO REI

REVOLUÇÃO NA AMÉRICA DO SUL

TECNICAS LATINO-AMERICANAS DE TEATRO POPULAR

I

II

REVOLUÇÃO COPERNICANA AO CONTRÁRIO

I

II

JOGOS PARA ATORES & NÃO-ATORES

EXERCÍCIOS & JOGOS DE TEATRO

EXERCÍCIOS & JOGOS PARA ATOR

A QUEDA DAS ATRIZES

LISÍSTRATA

TEATRO DO OPRIMIDO

I

II

 



sábado, agosto 22, 2026

REENCONTRO MARCADO

 

 

REENCONTRO MARCADO – A solidão compulsória num tempo devastador, o calendário perdido por ontamanhãs. A espera tardia sucumbia no desencontro, a lucidez escassa. Havia o vestígio de fôlego nas cercanias e a parede era o abrigo na expectativa do reencontro. Algo sobrevivia em meu coração atordoado, coisa que seria logo presença, enquanto as horas ditassem o ritmo das ocasiões. Este o momento. Confira aqui, aqui & aqui.

 



sábado, agosto 15, 2026

GILVANÍCILA & AS SOMBRAS DO CORAÇÃO

 


GILVANÍCILA & AS SOMBRAS DO CORAÇÃO (Imagem: Mougenot Natalya) – O casal Suetônio & Deusdith recepciona as férias do irmão dele, Susdidido, há muitos anos no Iraque. O trio festivo foi muito alvoroçado e, ao final de um mês, quando se preparava para o retorno, recebera a notícia de que fora dispensado. Abatido, o agora desempregado recebia do irmão mais que apoio e ali ficou definitivamente. Pouco tempo depois Deusdith engravida e para felicidade do trio nasceu Gilvanícila. Porém, o que fazia o pai feliz, mais desandavam todos para infelicidade trágica. Confira primeiro aqui, depois aqui e, por fim, aqui.