A arte milenar do teatro é uma forma de arte em que um ou vários atores apresentam-se como personagem para contar uma história a uma plateia presente. É o espaço pelo qual ocorre, por meio da representação de um ator ou atriz ao público, uma troca de experiência simbólica, com uma linguagem espácio-temporal.
As origens se perdem no tempo, uma vez que, segundo
estudiosos, a exemplo da dança, da música e do desenho, a sua atividade surgiu
como um modo de expressão do homem primitivo, que encenava contando suas
experiências, demonstrando seus sentimentos e representando suas necessidades por
meio da imitação. Remonta, portanto, desde o homem primitivo e a todas as suas
formas de rituais associados à caça, colheita, morte, entre outras, com danças,
imitações de animais, culto aos deuses e práticas lúdicas.
Oteatro é um termo de origem grega, oriundo dos vocábulos gregos Theatron e Theastai, cujo significado concerne a lugar de onde se vê. Por conta disso passou simultaneamente a designar o conjunto de peças dramáticas para apresentação em público e o edifício onde são apresentadas essas peças. Por esta razão diz-se que na Grécia Antiga, por volta do século IV a.C., com o ditirambo que era um hino cantado e representado por um coro fantasiado. Encontra-se o registro de que foi Téspis e o primeiro a realizar uma encenação, considerado o primeiro ator e produtor teatral do Ocidente. Em 534 a.C., ele utilizou uma máscara, interpretando o deus Dionísio, atitude essa que espantou muitos espectadores, durante os festivais anuais em consagração a Dionísio, o deus do vinho, da fertilidade e diversão.
A Tragédia Grega retratava temas ligados à
justiça, às leis e o destino. As histórias quase sempre terminavam com a morte
do herói. Entre os autores mais famosos desse gênero estão: Ésquilo, Sófocles e
Eurípedes. Veja detalhes desses tragediógrafos:
ÉSQUILO aqui, aqui, aqui & aqui.
SÓFOCLES aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
A Comédia Grega despertava o riso dos
espectadores e representava de maneira cômica o cotidiano da vida em formato de
sátiras. Aristófanes foi um grande autor desse gênero. Do Grego, o termo
comédia (komoidia), significava um “espetáculo divertido”. Trata-se,
portanto, de um gênero teatral crítico baseado em sátiras, e que abordava
diversos aspectos da sociedade grega de maneira cômica. Veja mais Aristófanes aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
O filósofo Aristóteles analisou, na
antiguidade, a atividade teatral em relação à forma e conteúdo perfeitos e
padronizados, definindo a Tragédia Clássica como uma grande ação ou
imitação intersubjetiva em tempo linear, ou nos termos filosóficos específicos:
em uma Revolução do Sol. Independente dos elementos épicos e líricos, a pureza
do gênero é acompanhada por estruturas fixas: o Mito (modo complexo como
as ações são articuladas, o Enredo), a elocução (discurso da persona), o
pensamento, o caráter (constituição do personagem herói, de aspectos
superiores), a Melopeia (harmonia geral da obra, partitura, equilíbrio
da musicalidade) e o Espetáculo. Os elementos da constituição trágica
aparecem como: a Catarse (efeito de terror e piedade causado no
espectador), a Peripécia (mutação de sucessos), o Reconhecimento
(passagem da ignorância para a consciência da realidade) e a verossimilhança da
trama com o real. Para ele a tragédia era um gênero maior, que representava os
homens "superiores". Já a comédia representava os fatos cotidianos e,
por isso, era apresentada por homens "inferiores", ou seja, os
cidadãos da Pólis. Veja mais Aristóteles aqui, aqui, aqui & aqui.
PLAUTO aqui.
MENANDRO aqui.
Veja mais sobre a Comédia Latina aqui & aqui.
Por volta de 476-1453, deu-se o perído medieval, no qual o teatro foi direcionado ao rito católico, incorporado pela Igreja como ferramenta didático-moral, usada para transmitir a “mensagem bíblica“, narrando, de modo majoritário, o período que vai da criação do mundo ao juízo-final. As representações ocorriam, inicialmente, no interior da igreja, inseridas no culto da missa e se expandiram até as ruas, de modo procissional. O objetivo principal do teatro medieval consistia na doutrinação do espírito humano por meio do inculcamento dos ensinamentos católicos, “traduzidos“ pelos ideólogos da fé cristã. No entanto, na Alta Idade Média (do séc. V ao XI), desenvolveram-se as formas populares, à despeito da proibição da Igreja. A partir do século XI, novos gêneros teatrais surgiram, dentre os quais: os Milagres, os Mistérios, os Autos e as Moralidades. As formas religiosas, e sobretudo o Auto, ao deslocarem-se para os espaços públicos e se popularizar, incorporaram elementos profanos. A atividade teatral, sobretudo neste período foi perseguida e condenados os artistas, mas não deixou de ser praticada em feudos ou nas ruas e, na Baixa Idade Média, sobretudo nos logradouros públicos, o espaço de representação passou a ser designado como palco simultâneo ou cena paralela.
Em Portugal, por exemplo, será grande a
influência do teatro em castelhano, produzido por Juan del Encina e Tôrres de
Naharro. As formas dramáticas mais presentes no teatro medieval foram os autos,
os “jeux” (jogos), as farsas, as “sotties” (tolices, comédias burlescas), os
mistérios e as moralidades. Já em outras, cujo enfoque prendia-se a eventos
históricos, surgiam heróis e heroínas já identificados com percursos nacionais
e figuras alegóricas que denunciavam, de forma simbólica, a realidade histórica
e social.
O teatro renascentista foi aquele produzido
durante o período do Renascimento, que teve início na Itália no século XV. Diferente
do teatro medieval, que possuíam um caráter mais religioso, o teatro
renascentista apostou no teatro popular de caráter cômico e burlesco e na
exploração de variados temas e se desenvolveu em diversos países europeus:
Itália, Inglaterra, França e Espanha.
Na Itália, Nicolau Maquiavel foi um dos
dramaturgos mais importantes do período destacando-se com sua comédia em cinco
atos publicada em 1524: Mandrágora. Veja mais aqui & aqui.
SHAKESPEARE – O poeta inglês William
Shakespeare foi responsável por construir o primeiro Teatro de Londres o “TheTheatre”,
no qual ele encenou algumas de suas peças de teatro mais importantes, a saber: Hamlet
e Rei Lear. Ele possui uma vasta obra com cerca de 40 peças,
divididas entre comédias, tragédias e peças históricas, bem como poemas
narrativos e sonetos. Na sua Primeira fase (1590-1602) escreveu peças
históricas, tragédias em estilo renascentista e algumas comédias; na Segunda
fase (1602-1610): ocupou-se em escrever tragédias e comédias; Terceira fase
(1610-1616): fase caracterizada por peças menos trágicas, de caráter
conciliatório. Na tragédia merece destaque as peças: Romeu e Julieta, A
Tempestade, Júlio César, Antônio e Cleópatra, Hamlet, Otelo, Rei Lear e Macbeth.
Na comédia merecem destaque as peças: A Comédia dos Erros, Os Dois Cavalheiros
de Verona, Sonho de Uma Noite de Verão, O Mercador de Veneza, Muito Barulho Por
Nada, Cimbelino, Noite de Reis, Como Quiserdes e A Megera Domada. Nas peças
históricas destacam-se: Ricardo II, Ricardo III, Henrique IV - Partes I e II,
Henrique V, Henrique VI - Partes I, II e III, Henrique VIII, Rei João e Eduardo
III. Na poesia destacam-se os poemas: Vênus e Adônis (1593), O Rapto de
Lucrécia (1594) e Sonetos (1609). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
COMMEDIA DEL’ART - A Commedia
Dell’Arte é uma das vertentes do teatro renascentista que esteve oposto aos
ideais clássicos que surgiam nas artes durante a época da renascença. De caráter
popular e itinerante, esse tipo de teatro surgido na Itália no século XV, veio
contrapor o academicismo da época do renascimento, por meio de uma linguagem
coloquial. Os atores apresentavam os textos de dramaturgia em locais públicos,
o que a fez se aproximar, em partes, do cenário do teatro medieval. Entretanto,
os temas não possuíam o caráter religioso que possuía o teatro medieval,
mediados no medievo pela forte influência da Igreja. Veja mais aqui.
MOLIÈRE - Jean-Baptiste Poquelin
(1622-1673), mais conhecido por Molière, é reconhecido como pai do teatro
francêss O comediógrafo era além de escritor, encenador e ator. Sua obra tem
forte influência da "Commedia dell'Arte". Em 1643, fundou a companhia
de teatro (Trupe) e em 1645, quando adotou o seu pseudônimo. Dizia ele: Talvez
não se exagerasse considerando a comédia mais difícil que a tragédia. Porque,
afinal, acho bem mais fácil apoiar-se nos grandes sentimentos, desafiar em
versos a Fortuna, acusar o Destino e injuriar os Deuses do que apreender o
ridículo dos homens e tornar divertidos no teatro os defeitos humanos.
Também é considerado o primeiro diretor teatral, da forma como concebemos hoje:
ensaiando longamente os espetáculos, atento aos menores detalhes. Criou textos
que ressaltavam suas qualidades. Para explorar os melhores talentos de sua
trupe, adaptava os papéis aos atores. Após sua morte foi criada a Sociedade dos
Comediantes Franceses. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
A partir do século XVII, com as revoluções
presentes na Europa e a ascensão da burguesia, o teatro foi diretamente
influenciado. A tragédia foi substituída pelo drama, enquanto a comédia ganhou
maior destaque. O teatro se torna muito mais individual, perdendo a sua
essência social.
No Romantismo, o teatro se volta para o ser
humano, com temáticas emocionais. É nesse período que surge o Melodrama.
O teatro na modernidade rompeu com as
estruturas clássicas e a narrativa linear, priorizando a subjetividade humana,
as críticas sociais e a quebra da ilusão. Movimentos como o expressionismo e o
teatro épico de Bertolt Brecht transformaram o palco em um espaço de reflexão
crítica, questionando o público em vez de apenas entretê-lo. Esse período
cênico foi marcado pelo advento de diretores, novas tecnologias de iluminação e
correntes estéticas que se opuseram ao realismo puro.
A evolução principal do teatro ocorreu em
diferentes frentes: o Simbolismo e Expressionismo: Foco nas emoções internas,
distorção da realidade e conflitos existenciais; o Teatro Épico (Bertolt
Brecht): Uso de narração, música e quebra da "quarta parede" para
evitar o envolvimento puramente emocional e manter o espectador consciente e
crítico; o Encenador: A figura do diretor ganhou centralidade, unificando a
visão artística, a iluminação e a cenografia.
Já no século XX surge o Teatro Realista, se
tornando um instrumento de discussão e crítica da sociedade. Os temas tratados
tinham como foco elucidar a realidade social. Questões políticas eram
trabalhadas, assim como criticas aos aspectos da sociedade burguesa da época.
Veja mais da tragédia moderna aqui.
Entre os nomes mais importantes do teatro na
modernidade estão:
Henrik Ibsen:
Considerado o pai do drama moderno, abordou temas polêmicos da burguesia e o
realismo psicológico em obras como Casa de Bonecas. Veja mais aqui, aqui & aqui.
Anton Tchekhov:
Revolucionou o teatro russo e mundial com seus dramas realistas focados na ação
interior e na melancolia, destacando-se A Gaivota. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
Bertolt Brecht: Criador
do "Teatro Épico", buscou o distanciamento crítico do espectador.
Obras como Mãe Coragem e Seus Filhos são clássicas. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
August Strindberg: Pioneiro
do expressionismo e do naturalismo, famoso por explorar conflitos psicológicos
e de classes em Senhorita Júlia. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
TEATRO DO ABSURDO - O
Teatro do Absurdo é um movimento teatral do pós-Segunda Guerra Mundial que
retrata a angústia e a falta de sentido da vida humana. Suas principais
características incluem diálogos desconexos, repetições, personagens isolados e
a mistura de humor e tragédia para questionar a lógica e a realidade. Surgido
na Europa entre as décadas de 1940 e 1960, o movimento reflete o trauma, o
ceticismo e a desolação deixados pelos horrores da guerra e pelas incertezas da
Guerra Fria. O termo foi cunhado pelo crítico húngaro Martin Esslin em
seu livro homônimo publicado em 1961. Esslin agrupou dramaturgos de vanguarda
cujas obras exploravam temas existencialistas sem oferecer respostas fáceis ou
narrativas lineares. Veja mais aqui, aqui & aqui.
As características principais do teatro do
absurdo são: a Incomunicabilidade: Os personagens falam muito, mas
raramente se compreendem ou transmitem uma mensagem real; a Ruptura com o
Realismo: Não há preocupação com a lógica convencional, coerência psicológica
ou enredos com começo, meio e fim tradicionais; o Absurdo da Existência: As
tramas expõem a repetição estéril das ações cotidianas e o sentimento de vazio;
e o Humor Trágico: O drama e o sofrimento são tratados com ironia e comicidade,
gerando um riso desconfortável no espectador.
Entre os autores que merecem destaque no
teatro do absurdo estão:
Samuel Beckett:
Considerado um dos maiores expoentes, escreveu o clássico Esperando Godot, onde
dois vagabundos aguardam incessantemente por um homem que nunca chega,
metaforizando a condição humana. Outra obra célebre é Fim de Partida. Veja
mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
Eugène Ionesco: Conhecido
por obras como A Cantora Careca (que critica a falta de sentido na
linguagem e no cotidiano burguês) e Rinoceronte. Veja mais aqui, aqui,
aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
O premiado escritor, dramaturgo e comediante
italiano Dario Fo (Dario Luigi Angelo Fo), é autor de espetaculares
peças como Morte Acidental de um Anarquista e Um Orgasmo Adulto
Escapa do Zoológico, entre outras, usando dialetos com hipérbole e surreal,
passando de um personagem a outro mesmo contando uma história narrada na
primeira pessoa. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
Jean Genet: Explora temas como
identidade e ilusão em obras como As Criadas. Veja mais aqui, aqui,
aqui, aqui & aqui.
No Brasil, o teatro surgiu no século XVI
através das composições teatrais escritas pelos padres jesuítas nas ações de
divulgação da fé religiosa entre os índios, durante a colonização portuguesa.
Responsáveis por trazer a literatura e o teatro, os jesuítas utilizaram a
cultura como principal instrumento pedagógico para a educação religiosa.
Conhecido como “Teatro de Catequese”, teve como precursores: Fernão Cardim,
Padre Manuel da Nóbrega e Padre José de Anchieta.
Depois disso, o Romantismo foi o grande
responsável por impulsionar o Teatro Brasileiro no século XIX, através das
obras de grandes escritores como Martins Pena (1815- 1848), Joaquim
Manoel de Macedo (1820-1882), José de Alencar (1829-1877), Machado de Assis
(1839-1908) e Artur de Azevedo (1855-1908). Veja mais de:
MARTINS PENA aqui, aqui, aqui & aqui.
MACHADO DE ASSIS aqui.
ARTUR AZEVEDO aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
Com o surgimento do Cinema há mais de cem
anos, muitos previram o fim do teatro. No entanto, o teatro permanece tão
popular como no seu início, sendo uma arte aclamada por diversos públicos. Assim
como em sua origem, ao longo da evolução humana, o teatro se tornou uma forma
de espelho das experiências sociais e do modo de pensar do homem. É considerada
uma arte extremamente rica, devido à sua história, suas vertentes e por seu
caráter social.
No Brasil, a modernização teatral ganhou
força logo após a Semana de Arte de 1922. O foco mudou para a dramaturgia e
vivências nacionais, afastando-se da imitação de modelos europeus. Instituições
como o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) e o Teatro de Arena de São
Paulo foram fundamentais para profissionalizar a classe artística e
aproximar as produções das realidades regionais e populares brasileiras. No
teatro, a luta dos modernistas foi de encontrar uma estética e uma linguagem
que refletisse justamente o Brasil como um todo, e não somente a elite carioca
e paulistana, que era majoritariamente o público dos grandes teatros
municipais. A visão do Teatro se voltava agora para o povo, para os suburbanos,
para muitos daqueles que não tinham acesso ou incentivo a consumir o teatro
como entretenimento. Foi esse o mote para o desenvolvimento do modernismo até o
comeco do Teatro Contemporâneo em 1970-80.
Entre os principais autores do teatro
brasileiro estão:
Nelson Rodrigues:
Revolucionou o teatro nacional com sua estética expressionista e temas
polêmicos. Suas principais obras são Vestido de Noiva e A Falecida.Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
Oswald de Andrade: Figura
central do modernismo, escreveu peças de forte crítica social e estética
antropofágica, com destaque para O Rei da Vela. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
Gianfrancesco Guarnieri: Um dos
expoentes do Teatro de Arena, escreveu Eles Não Usam Black-Tie, obra
fundamental sobre o operariado e os movimentos sociais. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.
Hilda Hilst escreveu uma obra teatral como
autora de uma revolução poética nos palcos, com oito obras escritas entre 1967
e 1969: A Empresa, O Rato no Muro, O Visitante, Auto da
Barca de Camiri, As Aves da Noite, O Novo Sistema, O
Verdugo e A Morte do Patriarca. Veja mais aqui, aqui & aqui.
Augusto Boal
contribuiu para moldar um teatro genuinamente nacional e latino-americano,
sendo responsável pela criação do Teatro do Oprimido, técnica que o projetou
internacionalmente. Sua obra dramatúrgica é marcada por questões sociais e foi
bastante premiada e traduzida. Boal escreveu, adaptou e dirigiu mais de 70
obras, boa parte encenada no Teatro de Arena, como Arena Canta Bahia e Arena
Conta Zumbi, de 1965, escritas em coautoria com Gianfrancesco Guarnieri. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
Plínio Marcos renovou os padrões
dramatúrgicos brasileiros, com gírias da periferia e personagens em situações
de subdesenvolvimento, autor de peças teatrais aplaudidas como Dois Perdidos
em uma Noite Suja (1966) e Navalha na Carne (1967), que garantiram
sua projeção no teatro. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
Leila Assumpção foi a autora
que conquistou espaço no teatro brasileiro com a ressignificação em sua
dramaturgia do papel da mulher na sociedade, por meio de sua fértil produção que
começou a ganhar projeção com Fala Baixo Senão Eu Grito (1969),
reconhecida como melhor texto pelo Prêmio Molière. Além de novelas e
minisséries para a televisão, ela se destacou no teatro com Jorginho, o
Machão (1970), A Kuka de Kamaiorá (1975), Seda Pura e Alfinetadas
(1981) e Boca Molhada de Paixão Calada (1984). Veja mais aqui, aqui & aqui.
Dias Gomes é o autor de O Pagador de
Promessas (1959), um dos títulos mais premiados do teatro brasileiro, que
fez do romancista, contista, radialista e escritor televisivo e o conjunto de
sua obra, um dos mais representativos da dramaturgia brasileira, incluindo as
peças A Revolução dos Beatos (1961), O Bem Amado (1962), O
Berço do Herói (1963) e Campeões do Mundo (1979). Veja mais aqui, aqui & aqui.
Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha
foi autor das peças teatrais Chapetuba Futebol Clube (1959), Se correr o bicho
pega, se ficar o bicho come (1965), Papa Highirte (1968), Rasga coração (1974),
entre outras, fundador do Grupo Opínião e criador da série televisiva A Grande
Família. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
José Celso Martinez Corrêa, o Zé
Celso, foi um diretor, ator, dramaturgo e encenador que criou o Teatro
Oficina, no qual ocorreram montagens de sucesso, como “Mistérios Gozosos à Moda
de Ópera” (1994), “Bacantes” (1995), “Cacilda!” (1998), entre outras, depois de
encenar as legendárias peças O rei da vela de Oswald de Andrade e Roda Viva, de
Chico Buarque. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.
O teatro do absurdo no Brasil foi
desenvolvido pelo dramaturgo gaúcho Qorpo Santo (José Joaquim de Campos
Leão) um precursor desse estilo no Brasil, com peças escritas na segunda metade
do século XIX que já apresentavam forte comicidade e ilogicidade, influenciando
a dramaturgia nacional e continua a ser encenado e estudado como uma ferramenta
para questionar a realidade. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.
Ainda que as manifestações teatrais tenham
ocorrido desde cedo na colonização, quase sempre com objetivos religiosos,
Pernambuco ganha sua primeira casa de espetáculos, a Casa de Ópera, em 1722,
depois nomeada Teatro de São Francisco, localizada na atual Rua do Imperador
Dom Pedro II. A maioria dos espetáculos que ali se apresentavam eram de
companhias de fora – do estado, mas, principalmente, do país. O mesmo acontecia
com o Teatro Apolo, inaugurado em 1840, no Bairro do Recife, e o Teatro de
Santa Isabel, no bairro de Santo Antônio, aberto em 1850, ano em que a Casa de
Ópera foi demolida.
Na década de 1920, surge a dramaturgia
pernambucana (com o grupo Gente Nossa), propiciando a criação de grupos como
Teatro de Amadores de Pernambuco (TAP), o regionalista Teatro do Estudante de
Pernambuco e, posteriormente, o Teatro Popular do Nordeste (TPN). A fundação do
grupo Gente Nossa ocorreu em 1931, idealizado por Samuel Campelo e Elpídio
Câmara, com a perspectiva de ter uma equipe continuada de teatro. Era um teatro
feito para divertir.
Em 1941, nasce o Teatro de Amadores de
Pernambuco (TAP), fundado por Valdemar de Oliveira, médico que havia trabalhado
com o Gente Nossa. Além de Pernambuco, o grupo excursiona, nos primeiros anos,
por cidades como Natal, Fortaleza e Maceió.
O estado vai se consolidando como um
importante polo teatral, com grupos como Teatro Adolescente do Recife (TAR),
dirigido por Clênio Wanderley, primeiro a encenar Auto da Compadecida,
de Ariano Suassuna, em 1956, entre outros. Tanto que, em 1958, o Recife sedia o
I Festival Nacional de Teatro de Estudantes, que reuniu mais de 600 pessoas de
todo o país, com peças, conferências e mais atividades para a área.
Na década de 1960, dá-se a criação do Teatro
Popular do Nordeste (TPN), liderado por Hermilo Borba Filho, e com integrantes
como Ariano Suassuna, Gastão de Holanda, José de Moraes Pinho, Capiba, Leda
Alves, entre outros. O objetivo era fortalecer o teatro como arte, formando plateia
e instigando o pensamento crítico, com peças que falassem a partir da cultura
nordestina, fortalecendo o acesso das classes populares. É um momento de
valorização dos autores locais. Além de Hermilo e Ariano, nomes como Luiz Marinho,
João Cabral de Melo Neto, Osman Lins, entre outros ganham destaque.
Em 1961, surge o Teatro de Cultura Popular,
braço do Movimento de Cultura Popular (MCP), que tem entre seus destaques o
diretor Luiz Mendonça e, no elenco, entre outros, o cearense José Wilker.
A partir de 1964, com a instauração da
ditadura militar, as artes passaram a ser alvo constante de censura e
repressão. Entre os grupos surgidos neste período estão a Companhia Práxis
Dramática, de José Mário Austregésilo e Paulo Fernando Góes, Teatro Ambiente do
MAC e Teatro Experimental de Olinda.
Em Olinda, na década de 1970, ocorre a
criação de vários grupos, entre eles o Vivencial, fundado em 1974, fruto de uma
experiência surgida sob a batuta da Igreja Católica, dentro da Associação de
Rapazes e Moças do Amparo (Arma). A partir de 1979, surge o Vivencial
Diversiones, casa de espetáculos que o coletivo montou em uma área de mangue,
no Complexo de Salgadinho, colocando em cena corpos historicamente excluídos,
como os de pessoas LGBTQIAPN+ e pobres, que não teriam acesso a espaços
destinados ao teatro.
Nos anos 1980 foram importantes para o teatro
pernambucano, a criação, em 1984, da Associação dos Produtores de Artes Cênicas
de Pernambuco (Apacepe). Alguns anos antes, foram fundadas, em 1976, a
Federação de Teatro de Pernambuco (Feteape), e, em 1978, o Sindicato dos
Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversão no Estado de Pernambuco
(Sated-PE), fruto dos esforços nacionais para a regulamentação e reconhecimento
da profissão dos trabalhadores das artes cênicas.
Entre os produtores que fomentaram a cena nos
anos 1980 estava o advogado Bóris Trindade, fundador, em 1978, da Aquarius
Produções Artísticas, com Paulo de Castro, que em 1985 abriu a sua própria
companhia, Paulo de Castro Produções, que reuniu dos produtores independentes
Maria Áurea Santa Cruz, Alberto Vinicius de Melo e Jaime Melo. Bóris Trindade
também foi responsável por contratar muitos profissionais do teatro local,
entre atores, diretores, figurinistas, técnicos, e trazer artistas de outros
estados, como Aderbal Freire Filho, em 1984, para dirigir Amor em campo
minado, de Dias Gomes. Foi neste cenário dos anos 1980, no qual havia menos
uma ideia de teatro de grupo e mais uma perspectiva de mercado de trabalho que
absorvia de forma intensa os profissionais em trabalhos específicos, que
despontou uma nova geração de nomes expressivos do teatro pernambucano, como
João Falcão, Marcelino Freire, Lívia Falcão, Aramis Trindade, Walmir Chagas e
Tuca Andrada.
A premiada atriz Geninha da Rosa Borges
(Maria Eugênia Franco de Sá da Rosa Borges), tornou-se a Grande Dama do Teatro
Pernambucano por sua participação em 63 peças teatrais, 10 filmes e dirigiu 21
espetáculos. No grupo TAP, teve a oportunidade de ser dirigida por artistas
nacionais e estrangeiros de renome como Zbigniew Ziembinski, Graça Melo,
Flamínio Bollini Cerri, Bibi Ferreira, Luís de Lima, entre outros. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
MIGUEL JASSELY: O
professor, advogado, teatrólogo, ator e animador cultural Miguel Jasseli
(1902-1964), atuou no teatro ao lado de Valdemar de Oliveira e Samuel Campelo,
idealizando e fundando a Federação de Teatro de Pernambuco. Encenou e dirigiu
no Teatro Cinema Apolo, em 1920, a peça em três atos “O comendador”, escrita
pelo também palmarense, Lelé Correia (José de Barros Correia). Criou o colégio
Ateneu Palmarense, dedicada ao ensino secundário e, em 1931, fundou a Sociedade
de Cultura de Palmares, formada por um grupo de teatro amador, no qual se
integrou Hermilo Borba Filho, então com 15 anos, com a finalidade era congregar
membros da sociedade local interessados em teatro, música e literatura. Ele atuou
como secretário do Departamento de Cultura de Palmares, no primeiro mandato do
prefeito Luís Portela de Carvalho (1952-1956). Regressou depois ao Rio de
Janeiro, para lecionar e dirigir o Teatro da Juventude, até falecer naquela
localidade, aos 62 anos de idade. Veja mais aqui & aqui.
HERMILO BORBA FILHO: O
escritor, advogado, dramaturgo, teatrólogo, jornalista, tradutor e crítico
literário, Hermilo Borba Filho (1917-1976), foi aluno de Miguel Jasseli e
atuou, juntamente com o poeta, ator e teatrólogo Lelé Correia, na peça
“Feitiço”, de Oduvaldo Viana Filho, em 1934, no cinema Glória, de Garanhuns.
Foi indicado pelo Jasseli ao Grupo Gente Nossa, de Samuel Campelo. Fundou com
Ariano Suassuna o Teatro do Estudante de Pernambuco (TEP), em 1946. Criou com
Valdemar de Oliveira o Teatro de Amadores de Pernambuco, em 1940. Na capital
paulista ele trabalhou na Companhia Nydia Lícia com Sérgio Cardoso, na
Companhia Cacilda Becker, no grupo Stúdio Teatral e no Teatro Paulistano de
Comédia. Em Recife ele trabalhou no Teatro Universitário de Pernambuco (TUP),
Teatro Operário do Recife, Teatro do SESI e no Centro de Comunicações do
Nordeste (Cecosne). Fundou em 1958, com Ariano Suassuna, o grupo Teatro Popular
do Nordeste (TPN). E com Alfredo de Oliveira fundou e dirigiu o grupo Teatro de
Arena do Recife, em 1960. Publicou os livros Teatro (TEP), História do Teatro
(RJ, 1950), Teoria e Prática do teatro (SP, 1960), Diálogo do encenador
(Recife, 1964) e Apresentação do bumba-meu-boi (Recife, 1966), entre outros.
Participou do Movimento de Cultura Popular (MCP) junto com Paulo Freire. 12 de
suas peças foram publicadas na Coleção Teatro Selecionado, pela Fundação
Nacional de Arte (Funarte), em 2007. Escreveu 23 peças teatrais que foram
encenadas no Brasil e no exterior. Em sua homenagem foi instituída, em 1983,
pela Prefeitura dos Palmares, a Fundação Casa da Cultura Hermilo Borba Filho e,
no Recife, em 1988, foi criado pela Prefeitura do Recife, o Centro de Formação
das Artes Cênicas Apolo-Hermilo, formado pelo Teatro Hermilo Borba Filho e
Teatro Apolo. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
FENELON BARRETO: O
professor, advogado, teatrólogo e poeta, Fenelon do Nascimento Barreto
(1898-1961), nasceu em Amaraji, vindo para Palmares ainda criança. Colaborou
com jornais e revistas editadas, tornando-se editor das revistas Palmares e
Palmira, e do jornal do Clube Literário; foi professor de Língua Portuguesa e
Literatura no Colégio Nossa Senhora de Lourdes e em outros educandários.
Exerceu a função de Promotor Adjunto da Comarca de Palmares e foi Secretário de
Administração na gestão do prefeito João Buarque, deixando uma extensa obra que
se conserva inédita e sob a guarda da família. Entre as suas mais de 20 peças
teatrais, estão Adoração, Gabriel, o tísico, Maldição, A noiva, Os dois irmãos,
O náufrago da Mafalda, entre outras. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
ASSOCIAÇÃO TEATRAL PALMARES (ATEP): Em
meados dos anos 1970, um grupo de atores palmarenses, capitaneado por Luiz
Alberto Machado, juntamente com Luiz Barreto, reuniu-se para encenar a peça
“Adoração”, de Fenelon Barreto. Os ensaios envolveram atores que atuaram em
peças tanto do próprio Fenelon, como do Lelé Correia, a exemplo de Léa de Dudu,
Givanilton Mendes, Guarino, Flávia, entre outros. A montagem malogrou tendo em
vista discussões entre o filho caçula, Luiz Barreto, que participava do elenco,
e as exigências financeiras dos demais familiares do autor teatral. Diante
desse impasse, Luiz Alberto Machado escreve o seu próprio texto teatral, “Em
busca de um lugar ao sol sob a especulação imobiliária” (mais tarde encenada
com o título de O Prêmio), reunindo o que sobrou do elenco da anterior montagem
malograda, mais a participação de jovens atores locais, como Mano Germano,
Toínho DuRego, Rollandry Silvério, entre outros.
Em 1983, Luiz Alberto Machado encenou seu
segundo texto teatral, A Viagem Noturna do Sol, que ganhou uma leitura
dramática pelo Grupo TTTrês Produções Artísticas, dirigida por José Manoel
Sobrinho, na sala Clênio Wanderley, Casa da Cultura, do Recife.
No ano seguinte Luiz Alberto Machado foi
convidado pelo escritor Paulo Cavalcanti, a adaptar, dirigir, musicar e encenar
a peça “João sem terra”, de Hermilo Borba Filho. Reuniu então um grupo de
atores que haviam criado o Grupo Terra, a exemplo dos atores Valter Portela,
Nazaré Silva, Leonilda Silva, Eri Guerra, Roberto Quental, Khátia e Andreia
Silva, encenando o espetáculo na reinauguração do teatro da Fundação Casa da
Cultura Hermilo Borba Filho, então sediada no Teatro Cinema Apolo.
Por conta disso, foi criada em seguida a
Associação Teatral Palmarense (ATEP), presidida por Luiz Alberto Machado, então
diretor regional da Federação de Teatro Amador de Pernambuco (Feteape), ocasião
em que firmando parceria entre as duas instituições, realizou cursos e oficinas
semanais para a classe teatral palmarense, por mais de dois anos nas
dependências da Biblioteca Fenelon Barreto. O resultado dos cursos e oficinas
levaram a encenação do espetáculo “Contrastes Natalinos”, com membros dos 22
grupos teatrais palmarenses. na inauguração do anfitetatro da Praça Paulo
Paranhos. Entre os grupos participantes da Atep estava o Grupo Cultural dos
Palmares (Grucalp), criado pelo poeta, artista plástico e artesão, Teles
Júnior, e mantido por seu filho, Jaorish Teles.
Veja mais:
História do Teatro aqui.
Signo Teatral aqui.
Teatro em Palmares aqui, aqui & aqui.
Teatro na Escola aqui, aqui, aqui & aqui.
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