A ARTE DE MILTON
NASCIMENTO - Já havia tido a experiência
ao adquirir aquele álbum do Hermeto (vide: aqui), quando então
entrei na discoteca e vi um álbum com uma capa escura e apenas a inscrição Minas
(1975). Levei-o e ouvi em casa, conferi: era a primeira audição do Milton Nascimento.
Pouco tempo depois ouvi a voz dele na música O que será (À flor da terra), do álbum Meus
caros amigos (1976), do Chico Buarque. E logo em seguida adquiri o
sensacional álbum Gerais (1976). Com a audição destes dois álbuns fui
enfeitiçado, tanto que cometi o meu poema “Minha voz”, ouvindo a sua e a
esta a minha dedicatória. Aí saí catando Travessia (1967), Courage
(1968), o de 1969, o Milton (1970), o álbum duplo Clube da esquina
(1970), o Milagre dos peixes - instrumental (1973), o duplo Milagre
dos Peixes ao vivo (1974), o Native Dancer (1974). Daí vieram o Milton
(1976), o duplo Clube da esquina 2 (1978), o Journey to Dawn
(1979), o Sentinela (1980), o Caçador de mim (1981), o Anima
(1982), a Missa dos Quilombos (1982), o Ao vivo (1983), o Encontros
& despedidas (1985), o Braziliam Romance (1987) com a Sarah
Vaughan; o Yauaretê (1987), quando fiz a primeira entrevista com ele; o Miltons
(1989), quando fiz a segunda entrevista; o Txai (1990), o Corazón
Americano (1986), A barca dos amantes (1986), o Planeta Blue na
estrada do sol (1992), Ângelus (1994), Nascimento (1997),
quando fiz a terceira entrevista com ele; o Tambores de Minas (1998), o Crooner
(1997), Gil & Milton (2000), Pietá (2002), E a gente
sonhando (2010), Under Toky Skies (2010), com o Herbie Hancock). Sim,
a coleção completa, acho. E não só. Acompanhei de perto sua participação nas
telas do cinema: primeiro no filme Os deuses e os mortos (1970), dirigido por Ruy Guerra. Depois a sua
trilha sonora para o documentário
Tostão A Fera de Ouro (1970). Em seguida, a atuação e a trilha sonora de
A Queda (1976), do Ruy Guerra. A sua participação como ator no filme Fitzcarraldo
(1982), dirigido por Werner Herzog. Logo após Noites do Sertão (1983), do Carlos Alberto Prates Correia, baseado na novela Buriti, de Guimarães
Rosa, publicada no livro Corpo de Baile. E vem a trilha musical do documentário Jango
(1984) de Silvio Tendler, em parceria com Wagner Tiso. Depois a música dos
filmes Chico Rei (1985) de Walter Lima Jr. e Jorge, Um Brasileiro
(1989) de Paulo Thiago. Logo após as trilhas musicais de A Terceira
Margem do Rio (1995) de Nelson Pereira dos Santos, em parceria com Caetano
Veloso e, depois, Menino Maluquinho (1994) de Helvécio Ratton; mais Veja
essa Canção (1994), de Cacá Diegues, O Coronel e O Lobisomem
(2005) de Maurício Farias, Sonhos e Desejos (2006), Uma Professora
muito Maluquinha (2010), Rio 2 (2014) e O Outro Lado do Paraíso
(2014).
Este o perfil e a fantástica trajetória do cantor, compositor e
multi-instrumentista Milton Nascimento (Milton Silva Campos do
Nascimento, 1942), apelidado de Bituca – apelido ganho por conta dos
botocudos -, um dos mais influentes artistas da história da música. Nasceu no
Rio de Janeiro e foi criado em Três Pontas, Minas Gerais, filho da empregada
doméstica Maria do Carmo do Nascimento, foi criado por sua avó dona Augusta e depois
adotado pela professora de música, Lilia Silva Campos e seu marido, Josino
Campos, dono de uma estação de rádio. Aos 4 anos ganhou uma sanfona de 2 baixos
e, aos 13, cantava no conjunto Continental de Duilio Riso Cougo, um grupo de
baile.
Com a música Travessia, parceria com Fernando Brant,
ocupou o 2º lugar no Festival Internacional da Canção, em 1967. Gravou 34
álbuns e foi parceiro de Björk, Duran Duran, Herbie Hancock, Mercedes Sosa, Pat
Metheny, Paul Simon, Jon Anderson, Peter Gabriel, Quincy Jones, Sara Vaughan e
Wayane Shorter.
Hoje, com 84 anos, acometido pela doença de Parkinson e diagnosticado com demência por corpos de Levy, adotou seu filho Augusto Kesrouani Nascimento, em 2016, em Juiz de Fora – MG e é a estrela do documentário Milton Bituca Nascimento (2025), direção de Flávia Moraes, narração de Fernanda Montenegro e com a turnê de despedida "A Última Sessão de Música" ao longo de dois anos, com depoimentos de Gilberto Gil, Mano Brown, Spike Lee, Paul Simon e Quincy Jones. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

