A ARTE DA
ETERNA GLAUCE ROCHA – Para quem
vivia escapando da vigilância dos juízes de menores, eu saía montado num bigodinho
ralo embaixo das ventas, todo embecado, beiçudo e pagando inteira para me
aboletar nas poltronas de filmes para maiores de 18 anos. Era isso no Teatro
Cinema Apolo, toda vez que tinha sessão de artes, às terças ou quartas, lá na
minha terrinha, isso na primeira metade da década de 1970. O público era uma
meia dúzia de gatos pingados, aficionados pela Sétima Arte. Lá estava eu todo
espragatado viajando na maionese, quando, certa vez, dei de cara com uma
produção cinematográfica nacional: o drama Um Homem sem Importância (1971),
dirigido por Alberto Salvá e estrelado por Oduvaldo Vianna Filho e Glauce
Rocha. A partir daí pesquisei toda sua cinematografia dessa saudosa e belíssima
mulher, sua atuação no teatro e na televisão, seu engajamento político em plena
ditadura militar. Li os livros Glauce Rocha: Atriz Mulher Guerreira (Hucitec,
1996), do radialista, músico e jurista José Octávio Guizzo e Glauce Rocha:
Uma Vida Interrompida (Relume-Dumará, 1996), do memorável autor, professor
e tradutor pernambucano Aldomar Conrado (Aldomar D'Almeida Conrado da Costa –
1936-2018). Assisti os curtas documentais Jardim de Pedra – Vida e Morte de
Glauce Rocha (2024), dirigido por Daphyne e Rodrigo Rezende, e Glauces -
Estudo de um Rosto (2001), dirigido por Joel Pizzini. Ao todo ela atuou em
55 montagens teatrais, mais de 50 programas de televisão e 23 filmes. E ao lado
de Cacilda Becker e Fernanda Montenegro, ela está no panteão das grandes
atrizes brasileiras. Esta a minha homenagem à grande atriz Glauce Rocha
(Glauce Eldé Ilgenfritz Corrêa de Araújo Rocha – 1930-1971), eterna no meu
coração. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

